Às vezes fico pensando: por que será que na nossa família aparecem tantos médicos, enfermeiros e jornalistas? Será que está no sangue?
Talvez seja apenas coincidência. Ou talvez exista algo mais profundo: o exemplo, a vocação, a vontade de cuidar das pessoas e também de contar suas histórias.Quando comecei a conhecer melhor a trajetória de pessoas da nossa família, percebi que essa ligação entre saúde, comunicação e questões sociais não é algo tão recente.
Um dos capítulos que chama atenção é a história de Raul Azedo, médico baiano, progressista, que se estabeleceu no Recife. Seus textos registravam preocupações com os direitos trabalhistas, mudanças políticas e questões sociais de seu tempo.
Ao lado dessa história aparece Joaquim Pimenta, jornalista, advogado e professor cearense radicado em Pernambuco. Um homem que se posicionou contra as oligarquias e a influência da Igreja e teve participação importante no movimento operário.
Mas talvez uma das histórias mais fascinantes seja a de Alice Azedo Pimenta, filha de Raul Azedo e esposa de Joaquim Pimenta.
Em uma época em que a sociedade era profundamente conservadora e patriarcal, Alice escrevia defendendo ideias que estavam muito à frente de seu tempo. Falava sobre o direito ao divórcio, a violência doméstica, o direito ao voto e a participação das mulheres na vida pública.
É impossível conhecer uma história como essa e não pensar nas gerações que vieram depois.
De um lado, a medicina, representada pelo cuidado, pela responsabilidade e pela dedicação ao próximo. De outro, o jornalismo, com a missão de observar a sociedade, questionar, registrar acontecimentos e dar voz a questões que muitas vezes permanecem escondidas.
E talvez seja justamente aí que esteja a resposta para aquela velha pergunta:
Será que está no sangue?
Talvez não seja literalmente o sangue. Talvez esteja nos valores que passam de geração para geração.
O médico cuida.
O enfermeiro acolhe.
O jornalista conta.
E todos, de alguma maneira, lidam com pessoas, histórias e momentos importantes da vida.
Quando olho para a presença dessas profissões na nossa família, penso que pode existir uma espécie de herança invisível. Não necessariamente uma profissão herdada, mas uma maneira de enxergar o mundo.
Uma vontade de ajudar.
Uma curiosidade de entender.
Uma necessidade de contar.
E, principalmente, uma preocupação com o ser humano.
Talvez nossos familiares de hoje nem percebam que estão continuando, de alguma forma, uma história que começou muitas décadas atrás.
E é justamente isso que torna a história familiar tão interessante: descobrimos que nossas escolhas de hoje podem ter raízes muito mais profundas do que imaginávamos.
Então, quando alguém perguntar por que existem tantos médicos, enfermeiros e jornalistas na nossa família, talvez a resposta possa ser simples:
“Não sei se está no sangue... mas certamente está na nossa história.”
Será que está no sangue?
Parte I — A pesquisa histórica
Ao pesquisar a história de nossa família e suas possíveis conexões com a medicina, o jornalismo e as questões sociais, encontramos personagens e documentos que ajudam a compreender o contexto de uma época.
Entre os materiais pesquisados estão registros preservados por instituições como a Fundação Joaquim Nabuco, a Faculdade de Direito do Recife e a Biblioteca Pública Estadual.
A pesquisa reúne textos de Raul Azedo, médico baiano, progressista e radicado no Recife, e de Joaquim Pimenta, jornalista, advogado e professor cearense também radicado em Pernambuco. Os textos abordam questões que estavam em evidência naquele período, como direitos trabalhistas, mudanças políticas e problemas sociais.
Um dos aspectos mais interessantes da pesquisa é o resgate da trajetória de Alice Azedo Pimenta, filha de Raul Azedo e esposa de Joaquim Pimenta.
Alice teve uma atuação especialmente significativa para seu tempo. Em uma sociedade conservadora e patriarcal, escreveu sobre temas como o direito ao divórcio, a violência doméstica, o direito ao voto e a participação das mulheres na vida pública.
Esses registros mostram que, muito antes de muitas dessas conquistas se tornarem realidade, já existiam pessoas dentro das próprias famílias discutindo e defendendo mudanças sociais.
Essa parte da história pertence à pesquisa documental: são nomes, textos, registros e acontecimentos que podem ser estudados e comprovados por meio das fontes históricas.
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Parte II — A memória da nossa família
E é aqui que começa uma outra história: a nossa memória familiar.
Quando olho para a nossa família, encontro uma presença marcante de profissionais ligados à medicina, à enfermagem e ao jornalismo.
E surge aquela pergunta que todo mundo já fez alguma vez:
Será que está no sangue?
Talvez seja uma coincidência. Talvez seja influência familiar. Talvez seja o exemplo de uma geração inspirando a seguinte.
Na medicina e na enfermagem existe o cuidado com o outro, a atenção, a responsabilidade e a disposição para estar presente nos momentos em que alguém mais precisa.
No jornalismo existe a curiosidade, a observação, a busca pela verdade e o desejo de registrar e contar aquilo que acontece ao nosso redor.
São profissões diferentes, mas existe algo que pode aproximá-las: o interesse pelas pessoas e pelas suas histórias.
Por isso, quando encontramos na história familiar pessoas ligadas à medicina e ao jornalismo, é natural começar a perceber essas profissões não apenas como escolhas individuais, mas como parte de uma trajetória que atravessa gerações.
A memória familiar, porém, é diferente da pesquisa histórica.
Ela está nas histórias contadas pelos mais velhos, nas lembranças, nas fotografias, nos relatos, nas conversas e até nas pequenas histórias que passam de geração em geração.
É nessa memória que podemos descobrir como cada médico, enfermeiro ou jornalista chegou à profissão, o que o motivou, quais dificuldades enfrentou e quais histórias ficaram marcadas na família.
E talvez seja justamente juntando documentos e memórias que conseguimos construir uma história mais completa.
A pesquisa nos mostra o que ficou registrado.
A memória nos conta o que foi vivido.
E, entre uma coisa e outra, vamos descobrindo quem somos.
Talvez, no fim, a resposta para a pergunta “Será que está no sangue?” não seja tão simples.
Pode não estar no sangue.
Pode estar no exemplo.
Pode estar nos valores.
Pode estar na educação.
Pode estar nas histórias que ouvimos desde crianças.
E pode estar, principalmente, na maneira como uma geração influencia a outra.
A história da nossa família ainda está sendo escrita. E talvez o mais bonito seja justamente descobrir que, por trás de cada profissão, existe uma pessoa, uma escolha e uma história que merece ser contada.
OBS : Por essa e outras sou da área da saúde e amor escrever está no sangue só pode.
Pr.Ricardo Solano





