
Três vezes por semana, quatro horas de cada vez.
Para quem olha de fora, pode parecer apenas um tratamento demorado, cansativo e repetitivo. Para quem vive a hemodiálise, porém, essas quatro horas representam muito mais: são horas que ajudam a manter a vida.
A hemodiálise faz parte da rotina de milhares de pessoas que precisam desse tratamento para substituir algumas das funções que os rins já não conseguem realizar adequadamente. É uma rotina que exige disciplina, paciência e, muitas vezes, muita força emocional.
Mas existe algo nessas quatro horas que vai além das máquinas, dos procedimentos e dos cuidados médicos.
Durante a sessão, enquanto o sangue é filtrado e o tratamento acontece, temos também a oportunidade de parar.
Parar em um mundo que quase nunca para.
É nesse momento que muitos pensamentos aparecem. Lembramos de acontecimentos do passado, pessoas que passaram pela nossa vida, momentos felizes, erros, escolhas, perdas, conquistas e sonhos que ficaram pelo caminho.
Às vezes, quatro horas parecem muito tempo.
Em outras ocasiões, passam rapidamente.
Mas quase sempre existe tempo suficiente para pensar na vida.
O que realmente importa?
Essa é uma pergunta que pode surgir enquanto estamos ali, ligados à máquina, observando o tempo passar.
Talvez percebamos que algumas preocupações que pareciam enormes já não têm tanta importância. Talvez valorizemos mais um abraço, uma conversa, a presença da família ou simplesmente o fato de poder acordar mais um dia.
A hemodiálise pode trazer limitações, mas também pode ensinar sobre resiliência, esperança e gratidão.
Cada sessão pode ser encarada não apenas como mais uma obrigação da semana, mas como mais uma oportunidade de continuar vivendo, convivendo, aprendendo e escrevendo novos capítulos da nossa história.
São quatro horas.
Quatro horas de tratamento.
Quatro horas que ajudam a preservar a vida.
E, quem sabe, quatro horas para olhar para dentro de nós mesmos e perceber que ainda temos muito para viver.
Porque enquanto a máquina trabalha, a vida continua acontecendo.
E talvez uma das maiores lições dessa jornada seja justamente esta: não podemos controlar todas as circunstâncias da vida, mas podemos escolher como olhar para elas.
A cada sessão, a cada semana, a cada novo dia, existe uma nova oportunidade de agradecer, refletir, perdoar, recomeçar e valorizar aquilo que realmente importa.
A hemodiálise não é apenas parte da rotina. Para muitos, ela é uma ponte que permite continuar caminhando pela vida.
Pr.Ricardo Solano